Ilumine-se

No texto abaixo as palavras/trechos grifados correspondem a links para as reportagens citadas.

Luz é o que precisamos, ela nos permite ver aquilo que nos cerca. E é para você ver claramente o que a política é e onde ela está, que preparamos essa edição da revista Lumina. Vamos mostrá-la, não só quando se trata de cargos públicos, mas também aquela política que vai de reuniões de condomínio ao conselho de classe. Queremos mostrar que ela está muito mais presente em nosso cotidiano do que imaginamos, como vocês poderão ver na reportagem que informa como qualquer um pode propor uma lei.
Já que o assunto é esse, em ano de eleição nós queremos saber: como foi seu primeiro voto? Veja algumas respostas de nossos entrevistados. Se você é um daqueles que preferiria não votar veja o artigo sobre a obrigatoriedade do voto. Para quem acredita na juventude (ou quer acreditar) pesquisamos sobre a participação do jovem na política e os resultados estão no texto neste link.
Se você, como nós da revista Lumina, está preocupado com a segurança pública, entrevistamos o pesquisador e professor Marcos Vinicius Cruz para esclarecer algumas dúvidas. Ainda há uma seção de diversão e cultura, pois política também pode nos render boas risadas.
Nosso objetivo principal é mostrar que em cada negociação, organização, relação e governo há uma beleza singular no ato de participar.

Equipe Lumina.

Política no cotidiano

Veja a nossa matéria sobre os diferentes tipo de poítica no cotiadiano. Você pode optar por ver as entrevistas no video abaixo eu lê-las na matéria.



Quando ouvimos a palavra “POLÍTICA”, normalmente nos vem à cabeça: partidos, coligações, centros administrativos, democracia, e, infelizmente, corrupção. É comum as pessoas associarem a política somente à administração pública, à questão das eleições. Contudo, será que a prática política está somente nesse tipo de situação? Certamente não. Praticamos política todos os dias de nossas vidas, desde a infância à melhor idade, por mais que não notemos. A política está presente as situações mais corriqueiras, como o filho que negocia com os pais um horário para voltar de uma festa; a consumidora que pechincha por um preço melhor no mercado; a dona de casa que administra uma família; no professor que administra uma turma.
Fazemos política sem nem sequer perceber, e foi para mostrar esse cotidiano tão comum da política que entrevistamos quatro pessoas que trabalham com aquilo que nem sempre é visto como política: vai desde uma jovem representante de turma ao Coordenador Pedagógico de uma escola, passando por um Coordenador de Geografia e um síndico. Todos têm vidas normais, estudam, trabalham. Não trabalham na Câmara dos Deputados ou Vereadores. São pessoas comuns, que fazem a nossa política, a cotidiana.

Priscila Martins, 17 anos, representante de turma (2ºano A)
“Aqui na escola eu tenho a função e estabelecer a comunicação a turma com a coordenação, tanto transmitindo os recados da coordenação para a turma, quanto os recados da turma para a coordenação. Geralmente a coordenação me pede para falar coisas simples, do tipo: houve uma mudança de data para entrega do trabalho X’. Aí eu informo para a turma logo em seguida, para não haver nenhuma confusão. E também quando por exemplo, a turma precisa fazer alguma reclamação, precisa comunicar alguma coisa para a coordenação, se há algum problema de relacionamento com um professor, ou mesmo com um aluno. Sou eu, então, que vou à Eliane e transmito essa mensagem.
Eu acho que a relação disso com política está no fato de que política tem muito disso, de relações humanas, de estabelecer essa comunicação entre as pessoas para buscar um relacionamento melhor, para buscar melhoria da situação delas. E é isso que eu faço, eu busco ligar esses dois setores, professor-aluno ou coordenação-aluno, pra deixar a situação melhor, pra tentar resolver problemas e evitar também muitos problemas.”

Eduardo Gonzaga, 46 anos, professor coordenador de geografia

“Eu tenho entre, outras funções, a atribuição de observar as provas dos professores, pra ver se elas estão adequadas quanto ao nível da série. Eu tenho também a função de fazer a ligação entre os professores e a direção, os coordenadores de segmentos, como a Eliane, a Tânia, o professor Raggazzi, e também tenho a função de definir livros de um ano para o outro, trabalhos didáticos, averiguar o encaminhamento dentro do prazo de provas, simulados, esse tipo de coisa.
Eu acho que a minha função se relaciona com política na medida em que ela é uma função que tem que ter um pouco de cuidado, né? Com o professor, eu tenho que ter um pouco de cuidado com relação à sua presença na escola, e situações desse tipo. Eu acho que ela tem pouca relação com a questão partidária, de forma nenhuma, mas sim uma relação política entre as várias hierarquias da escola.”

Paulo Francisco de Oliveira, 45 anos, síndico

“A função do síndico é cuidar dos bens da coletividade, especificamente, no caso, do prédio onde a gente mora, né? Olhar essa parte de lixo, a melhor condição pra recolher o lixo, a manutenção dos equipamentos de uso coletivo, a contratação de funcionários para a limpeza, a organização de vagas de garagem, a troca do gás, quer dizer, essas coisas normais do dia-a-dia.
A relação que eu vejo disso com a política é a questão só de amplitude, um prefeito vai fazer na cidade o que o síndico vai fazer no
prédio onde ele mora, assim como o governador no estado, e o presidente na nação. É importante em qualquer caso, seja o síndico, seja o prefeito, governador ou presidente, que eles hajam sempre procurando o bem-estar coletivo, com transparência, ouvindo as outras pessoas, os outros participantes, que moram naquela
região, naquela casa, naquele estado e que haja ética na condução da verba, que todo mundo contribui, porque aquela verba não é dele, aquela verba deve ser usada em prol de todo mundo.”

Marcos Raggazzi, 41 anos, professor e coordenador pedagógico

“Eu trabalho com pessoas, administrando pessoas e procurando tirar de cada uma delas aquilo que elas têm de melhor pra poder oferecer pra comunidade escolar.
A política está envolvida em todo o nosso trabalho, no cotidiano; é extremamente fundamental que nós: saibamos respeitar as pessoas, saibamos identificar os problemas que cada uma delas tem pra que nós possamos resolver as situações e pra que seja interessante para o bem comum. Então, se nós não tivermos a política muito bem definida (não só a política de trabalho, como também política de relacionamento, como também política de aceitação do outro), nós não teríamos sucesso. É fundamental que nós saibamos trabalhar com o aspecto político o tempo todo.”

Política e segurança combinam?


À frente também do Núcleo de Estudos em Segurança Pública (NESP) da Fundação João Pinheiro, o mestre e pesquisador Marcus Vinícius Cruz é referência, não só em Minas, sobre políticas de segurança pública e combate à violência e à criminalidade. A seguir, ele sana algumas das dúvidas que lhe apresentamos, acerca dos programas criados pelo Estado para diminuir os índices de violência e criminalidade.
Toda sociedade precisa de uma estrutura preparada para combater a violência e a  criminalidade, afinal viver em conjunto sempre envolve riscos. Dessa forma, é função do Estado criar políticas voltadas para a proteção e o bem estar da sociedade. A respeito desse tema, entrevistamos o professor da Fundação João Pinheiro, Marcus
Vinícius Cruz. Além de coordenar o NESP (Núcleo de Pesquisas em Segurança Pública, Fundação João Pinheiro), ele trabalha com projetos para o Estado, ministrando aulas e treinamento para os profissionais da área de justiça criminal; como os de organizações policiais, Ministério Público, sistema prisional, entre outros. Dessa forma, veja a seguir como é a segurança em Minas, em vários de seus aspectos.

O combate à violência e à criminalidade em Minas Gerais é adequado?
Bem, a criminalidade e a violência têm várias motivações. Assim, vários são os mecanismos que a própria sociedade deve articular para combater e fazer com que diminuam os índices de criminalidade e violência. As políticas devem ir por dois caminhos: aquelas de repressão qualificada e aquelas de prevenção.
O grande problema do Brasil hoje é que as políticas são dependentes de cada estado, então dependendo do estado há uma política. No caso, Minas Gerais tem uma
política bem estruturada. Contudo, o grande problema em geral é que os níveis de criminalidade e violência estão num patamar muito alto.

Sobre os programas do estado para combater a criminalidade, qual é a sua visão sobre eles? São eficientes, têm efeitos de médio e longo prazo ou apenas imediatos?
Programas como o Fica Vivo são muito eficientes. Ele é uma intervenção nas áreas com maior índice de criminalidade e, assim, há uma intervenção de vários atores sociais importantes, como a organização policial, a prefeitura e o Estado. Além
disso, ele foca principalmente na inserção dos jovens dentro daquela comunidade e, por outro lado, há uma repressão qualificada.

Ocorre uma integração entre retirar o jovem da criminalidade e punir quem cometeu um ato criminoso?
Exatamente. Ou seja: tirar os bandidos de circulação, fazer com que aquela comunidade possa viver sem maiores problemas e evitar com que o jovem possa entrar na criminalidade. No mundo inteiro o jovem é mais suscetível a entrar na criminalidade, então o programa foca justamente esses jovens que vivem em áreas assoladas pela criminalidade e violência de grande proporção.

Sobre o Programa Fica Vivo, qual é a sua visão? Ele é realmente bom para a sociedade? Ele funciona?
Sim, ele funciona desde que haja efetivos investimentos no corpo social que vai trabalhar junto a esse programa. Não é um só ente isolado, porque segurança pública é responsabilidade do Estado, mas também é dever de todos, então tem que haver uma ação da comunidade como um todo para efetivamente atuar naquele local. Por isso o Fica Vivo tem obtido êxito: vários atores importantes estão trabalhando juntos
para resolver esse problema.

Sobre o sistema prisional no Brasil, por que há tantos presídios superlotados e alguns com segurança e proteção inadequadas?
Bom, o caso do sistema prisional brasileiro realmente tem um cenário caótico. Realmente há um número maior de presos em lugares inadequados, em termos de habitabilidade. Um problema que aconteceu foi que a população carcerária brasileira praticamente dobrou nos últimos dez anos e não houve um ímpeto de construção de vagas no país como um todo que desse vazão a esse crescimento.

Levando-se em conta os detentos que permanecem presos, apesar de sua pena já ter sido cumprida, percebe-se que há certa burocracia nesse sistema prisional. Qual solução o senhor aponta pra resolvê-la?
Para agilizar esse tipo de acompanhamento da pena dos indivíduos, ampliar a ação da Defensoria Pública é muito importante, porquecom isso aumenta-se o atendimento jurídico ao apenado e assim há uma possibilidade de giro maior no sistema.

Há o programa de Reintegração Social de Egressos do Sistema Prisional. Ele é realmente eficiente?
Ah, a reintegração de egressos é fundamental! O problema dele é ainda não conseguir abarcar um número muito grande de pessoasoriundas do sistema prisional; mas ele é uma das formas mais interessantes, em termos de programa pra fazer com que essas pessoas possam se reabilitar e se reintegrar a sociedade a partir do trabalho.

A Central de Penas Alternativas e o Núcleo de Mediação de Conflitos podem ser vistos como uma forma de agilizar e diminuir a sobrecarga do nosso sistema prisional e jurídico?
Não tenho a menor dúvida. Ambos fazem com que aqueles conflitos existentes entre as pessoas sejam resolvidos antes de entrar no sistema de justiça criminal. Com isso, não só minimizam-se os custos como também agiliza-se no sentido de que você tem uma sensação de que o seu problema foi resolvido.

Segurança também envolve trânsito. O senhor acha que com o tempo a fiscalização da Lei Seca perdeu sua eficiência?
Olha, isso depende muito de cada lugar do país. No Rio de Janeiro, por exemplo, o que a gente verifica é um aumento cada vez maior das equipes que realizam a fiscalização relacionada à aplicação da Lei Seca. Claro que há problemas jurídicos relacionados à própria forma da lei, mas de alguma forma há uma maior conscientização no contexto geral da sociedade.
Então qual seria uma boa estratégia pra sanar o problema de acidentes no trânsito, que ainda persiste?
Tem que haver duas vertentes: um reforço na educação do motorista e da fiscalização. E não há como fazer segurança em qualquer país do mundo se não houver investimentos. Se não tiver aporte de recursos para contratação e recrutamento de pessoal, ter equipamentos, além de também ter estradas melhores (em que a própria fiscalização possa ser facilitada), não há como diminuir os acidentes de trânsito.

por: Maria Luiza Brandão e Paula Viegas

Votar ou não votar? Eis a questão.

Todos os cidadãos entre 18 e 70 anos são obrigados a votar. Aliás, perante a lei, só é cidadão quem possui o título de eleitor. Por que temos essa obrigação jurídica? Será que essa obrigatoriedade é realmente benéfica?Afinal, até mesmo como forma de protesto, vários eleitores anulam seus votos ou votam em figuras pitorescas (como o famoso humorista e recentemente eleito deputadoTiririca). Parece óbvio que algo está errado!

“Eu não sei o que faz um deputado, mas vote em mim que eu te conto”. Essa foi uma das frases de efeito utilizadas pelo humorista Tiririca durante sua candidatura. Realmente, ela se adapta bem à situação: ele é humorista, sabe divertir, não criar leis. Não obstante, ele foi surpreendentemente eleito, com mais de 1 milhão de votos! O que poucos sabem é que, na saia de sua legenda partidária, pelo menos candidatos também serão eleitos. Será que esses candidatos, geralmente de partidos menores, são honestos ou simplesmente querem seu lugarzinho ao sol da corrupção? Tamanha omissão nos leva, inevitavelmente, à pergunta: o voto realmente deve ser obrigatório?
Duvido muito de que a maioria dos eleitores de Tiririca acredite em suas reais propostas. Aliás, quais são mesmo as suas propostas? É exatamente nesse ponto que entra a falha do voto obrigatório: eleitores pouco instruídos ou que simplesmente são contra esse tipo de obrigatoriedade usam seu poder de escolha inadvertidamente. A eleição de candidatos tão sabidamente despreparados não representa a inocência da população. Não apenas isso. O buraco é, com certeza, muito mais embaixo, lá no passado educacional, no ensino que os eleitores brasileiros (não) receberam. A imagem esperada de cidadão é a daquele que tem consciênciado verdadeiro valor do voto, que sabe quais são as funções políticas de quem está elegendo, que conhece os problemas enfrentados pelo seu país e que tem certo conhecimento da legislação eleitoral. Pouquíssimas pessoas sabem que um deputado eleito com um grande número de votos carrega consigo outros candidatos, que se elegem graças à sua legenda política.
Talvez se a população tivesse mais instrução, soubesse associar
a eleição dos candidatos à possibilidade de mudanças, não haveria esse clima circense no período de eleições. Nem todos os eleitores imaginam que somos nós quem pagamos os salários desses candidatos tão despreparados (e também
dos que pegaram carona na legenda). Aliás, somente quando aparecem na mídia os escândalos de mensalões, mesadas, desvios de verbas e cuecas recheadas é que a população associa seu bolso vazio ao bolso cheio do candidato eleito. Mas aí já é tarde demais, o mal já está feito.
O voto deve, sim, ser obrigatório. Porém, não pela força da lei, que pode levar a decisões errôneas, que se baseiam em falsas ideologias ou na ingenuidade. Não deve haver uma obrigatoriedade jurídica para votar, mas sim ideológica.
Cada cidadão deveria impor a si a obrigatoriedade “facultativa” do voto, baseando-se em seu julgamento pessoal. Quem se julga apto, pode e deve votar e assim, a pessoa se obriga a exercer esse direito. Agora, se o governo quer parar de protagonizar comédias e dramas na mídia, é melhor começar a investir em educação o mais rápido possível, pois é principalmente um cidadão bem instruído, com  conhecimento, que está apto a escolher seu candidato conscientemente, evitando os tão famosos escândalos futuros. Mas quem se importa?
Por Paula Viegar Grego de Oliveira

Estatísticas: os jovens e a política

Pode-se concluir que os jovens poderiam usufruir melhor o poder que têm nas mãos. Contudo, será que nenhum jovem participa? Nenhum deles sabe as funções de nossos governantes, é simpatizante de algum partido? Fomos aos corredores do colégio Bernoulli e fizemos as contas! Os gráficos abaixo fazemparte de uma estatística que fizemos com 66 alunos do colégio Bernoulli, desde a 5ª série ao 3º ano ITA. São dados baseados numa população pequena mas que, pelo que se vê na mídia, não é muito diferente do perfil do jovem atual.



Estatísticas

Você sabia que...

...um cidadão também pode propor uma lei?

            Pois é verdade, a nossa constituição prevê o Estado Democrático de Direito sendo que temos estampado no art. 1º da Constituição Federal: “Todo poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição.”
            A população em geral se ocupa apenas em votar e eleger os candidatos e a partir daí, fica a cargo destes propor os projetos de lei ao Legislativo para posterior voto e sanção presidencial se for o caso. A verdade é que boa parte da população não está muito familiarizada com esse processo e muito menos com alguns dos outros recursos democráticos. Vejamos, então, o seguinte artigo da Constituição Federal:

O primeiro voto

Veja a pequena entrevista que fizemos com algums pessoas sobre o primeiro voto no video abaixo, ou leia o resumo na "ficha técnica" desta postagem.





Entrevistados:

NOME:
Andreza Félix.
IDADE: 31 anos.
DATA DO 1º VOTO: 1998, em eleições para presidente. “A minha emoção de votar foi muito grande, porque votei já para presidente, o que foi muito significativo pra mim como eleitora”.


NOME: Carollina Rodrigues.
IDADE: 16 anos.
DATA DO 1º VOTO: 2010, em eleições para Presidente. “Eu achei muito importante, porque foi a primeira vez que eu pude contribuir pra escolher que vai governar a nação”.

NOME: Daniel Martins.
IDADE: 18 anos.
DATA DO 1º VOTO: 2010 em eleições para presidente.
“Eu não senti diferença nenhuma em votar [...]. Não vai fazer diferença na minha vida, mas tenho que cumprir meu dever como cidadão.

 

NOME: Elbiron Argentino de Oliveira
IDADE: 56 anos.
DATA DO 1º VOTO: 1972, em eleições para Prefeito (duranteo Governo  Militar). “A sensação não foi lá tão grande, porque essa questão da politização, do direito de votar não era tão bem divulgada. Hoje não, hoje existe essa questão do exercício da cidadania. Na época era mais ou menos assim: ‘vou votar porque é obrigado a votar’.”


NOME: Fernando Santana.
IDADE: 47 anos.
DATA DO 1º VOTO: 1982, em eleições para Governador (durante o Governo Militar). “Foi um momento importante na volta da democracia no Brasil, porque logo em seguida a gente iniciou a campanha das Diretas Já”.

NOME: Paulo Silveira.
IDADE: 11 anos.
DATA DO 1º VOTO: assim que completar os 16 anos (2016), em eleições para Prefeito. “Eu gostaria que tivesse uma coligação entre o PSDB e o PV. Eu com certeza votaria nessa coligação”.

NOME: Rosana Jorge Coelho.
IDADE: 35 anos.
DATA DO 1º VOTO: 1992, em eleições para Prefeito. “Eu sempre ia votar com meus pais, e eles me deixavam marcar o ‘X’, então eu me senti uma pessoa muito importante a partir do momento
em que eu estava dando a minha contribuição”.

Jovem na política: Alienado, quem?

O jovem. Pelo menos é esse o (pré) conceito que o jovem brasileiro carrega: Alienado. A fim de entender essa alienação alguns entrevistados falaram sobre o assunto.
Enquanto a juventude dos nossos avós e bisavós lutava em guerras, os jovens de 1968 diziam “não” ao combate no Vietnã e à ditadura militar, e “sim” a revoluções liberais e à revolução sexual, os jovens do século XXI parecem não abraçar causas. A sociedade espera que a juventude seja o motor de mudanças e traga soluções políticas e sociais no país, mas pelo visto vai continuar esperando. Bruna Raissa, 22, estudante de direito e assistente jurídica, reflete bem essa expectativa: “vejo que se o povo brasileiro (representado pelos jovens, que são a força da nação) estiver disposto, conseguiríamos ir muito mais longe”.
Em pesquisa da universidade Federal de Minas Gerais – UFMG/ Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (Ipep) os jovens belorizontinos disseram confiar mais na televisão do que em partidos políticos, Câmara, Assembléia ou Congresso. De acordo com a Data Teen(Centro de pesquisas do Instituto Paulista de Adolescência) apenas 19,5% dos jovens entre 16 e 18 (com direito ao voto facultativo) possuem título de eleitor.
Mas o jovem é mesmo alienado? A estudante Maria Luiza, 15, diz que “Parcialmente. Não é certo generalizar isso porque tem, sim, jovens que se preocupam muito com a política hoje, e alguns que não ligam muito”. Se um exemplo de participação política é filiação a um partido, de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (2007) 522.754 jovens de 16 a 24 anos estão filiados a partidos políticos. São muitos os jovens que “se preocupam”, mas eles representam apenas 4,52% dos filiados a partidos políticos no Brasil. Valor pequeno, já que 20,1% da população brasileira têm menos de 25 anos (Dado da ONU Brasil 2006). É aí que aparecem os 33.577.246 jovens que “não ligam muito”. Quando questionada sobre a participação do jovem de hoje na política, a estudante afirma: “acho que não (participa) tanto como antigamente porque hoje nossa política é mais estável, mas eu acho que ele tem sim uma participação fundamental”.
Levando-se em conta que não só de partidos a política é feita, é válida a observação de que os jovens participam quando é do interesse deles. Um exemplo é a quantidade de votos online que emissoras de televisão conseguem quando a pesquisa é para eleger o candidato a permanecer em um reality show ou a melhor banda do ano. Os jovens ainda se articulam muito bem quando o assunto é organizar uma festa ou um pequeno campeonato esportivo. São eles que negociam com os pais os passeios a serem feitos, o dinheiro da mesada, reivindicam as regras da casa. Falta agora a expansão de todo esse engajamento para outras áreas, que vão além da vida pessoal.
Para auxiliar os jovens que se evolvem politicamente, existe a internet. Ela é incansavelmente acusada de massificar a cultura jovem, alienar a mocidade... Ainda assim por meio dela é possível, dentre outras ações, acompanhar os acontecimentos do legislativo, como lembra Maria Luiza: “Pelo Twitter ou site do seu candidato você pode ficar sabendo melhor o que ele está fazendo na Assembleia (ou onde ele trabalha) e os projetos que ele está lançando... Para saber se você vai votar nele de novo ou se é hora de mudar de candidato.”
Joelma Xavier, mestre em linguística e professora do Colégio Bernoulli, quando questionada sobre o uso da internet para afastar/aproximar o jovem da política, responde: “se você entra na internet, você consegue acessar, por exemplo, no site oficial do TRE, uma lista das contas públicas (...). Então, eu acho difícil a gente falar que (a internet) afasta a realidade política, porque você tem uma série de informações além de uma cobertura jornalística sobre as possíveis fraudes, inadequações, erros, mentiras... Bom, eu acho que há um mau uso da ferramenta, então essa seria uma crítica geral. Assim ele (o jovem) está inserido nesse grande universo de informações, mas nem sempre elas são utilizadas de uma maneira adequada. Lançar mão, por exemplo, de escolher um candidato consultando o perfil, o histórico dele, quantos jovens será que fizeram isso? Quantos brasileiros lançaram mão desse recurso? Até mesmo em termos de disponibilidade da ferramenta. Pensando naquele público que tem acesso, nem mesmo ele utiliza de uma forma abrangente, pensando na autonomia de voto, de escolha, ou mesmo de participação que a ferramenta pode possibilitar”. Além disso,  organismos como a Avaaz, definida no próprio site como “nova rede de mobilização global” permitem um engajamento político em escala nacional e mundial por meio da internet, ferramenta que é conhecida dos jovens e pode ser usada com esse objetivo.
O que acontece no Brasil hoje é que o jovem tem a oportunidade de não ser indiferente ao contexto político em que vive e de se articular politicamente nos ambientes familiar, escolar e religioso, mas a grande maioria não faz uso dessas oportunidades. Assim o país continua aguardando por jovens que provem o contrário.

Seção Diversão e Cultura

Filme: Pro dia nascer feliz
Todos sabem que, no Brasil, falar de educação é falar de um dos problemas mais sérios que nos acometem. Aquilo que deveria ser um dos pilares do desenvolvimento do país encontra-se em situação precária, e é com a câmera voltada para o jovem brasileiro que João Jardim explora esse tema.
O documentário Pro dia nascer feliz mostra a realidade de jovens com diferentes condições socioeconômicas. São entrevistas feitas em diversos lugares do país, que vão desde o sertão Pernambucano às periferias de Duque de Caxias (RJ) e de São Paulo para finalmente, fazer um retrato do elitizado universo presente no colégio particular Santa Cruz, também em São Paulo.
O filme aborda principalmente a busca pelos culpados pela situação educacional. Seriam os jovens, que não têm interesse pela escola e a utilizam como “válvula de escape” para fugir dos problemas com que se deparam? Ou seriam os professores, que faltam constantemente e não têm compromisso com a qualidade do ensino? Isso, para não falar de pais que não dão assistência a seus filhos e os deixam se criar em meio à marginalidade e imoralidade. Também não pode deixar de ser citado o descaso do governo, que não proporciona condições para que as escolas melhorem, direcionando verbas ínfimas para seu sustento.
O problema é muito mais complexo, e tem como causa uma teia de fatores, como os sociais, os culturais, e econômicos. Esta produção de João Jardim nos mostra que, além de olhar para a lástima que é o nosso sistema educacional, devemos também enxergar por que ele encontra-se em condições tão deploráveis. Por isso, não deixe de assistir a essa bela obra do cinema brasileiro!
Por Maria Luiza Brandão
Trailer:







Música: Acorda Brasil
(Fernando Henrique Lisa e Talita Fischer)
Há muito tempo sonhamos
Com o novo sol que vai nascer
Há muito tempo esperamos

Aquela chance pra crescer
Acorda Brasil essa é a hora
De aprender uma lição
Mas vamos logo, não demora

É preciso cuidar
Daqueles que ainda irão nascer
Não é só PAC e Bolsa Família

Que irão fazer o povo crescer
Acorda Brasil essa é a hora
De aprender uma lição
Mas vamos logo, não demora

Tirinhas: (clique na tirinha para ampliar)



Manifesto contra a impunidade

Senhor Ministro Carlos Minc

Em 26.140 quilômetros quadrados de floresta há várias espécies da fauna e flora ainda desconhecidas; tantas pessoas poderiam viver e prosperar de maneira sustentável, respeitando a natureza e seu tempo. Contudo, ao invés de uma imagem tão esperançosa, o que vemos é o nada!
Isso mesmo, o absurdo, a atrocidade de, somente entre 2003 e 2004, esses mesmos 26.140 quilômetros quadrados de florestas terem desaparecido! É inaceitável uma situação tão vergonhosa! A cada ano hectares e mais hectares da Floresta Amazônica são devastados, transformados em pastos ou plantações de soja que, finalmente, resultam em desertos que humilham a imagem e a população de nosso país!
Cada quilômetro quadrado de terra desmatado irá compor o novo Saara, agora numa versão brasileira. Mas o que acontece com os culpados? Nada! Ou melhor, eles até chegam a enriquecer... E o que acontece com quem tenta ajudar a floresta? São assassinados pelos próprios culpados impunes, a exemplo da Irmã Dorothy Stang!
É de se causar nojo e mal estar em qualquer um! Começamos a imaginar que o governo não só fecha os olhos, mas também participa de tais crimes contra a vida...
Já passou da hora de termos políticas ambientais que funcionem, como a punição efetiva dos criminosos que agridem o NOSSO meio ambiente, além de incentivos à preservação e à vida sustentável. Basta apenas ensinar a população a viver sem agredir a floresta.
Por Luiz Fernando Carneiro Rodrigues e Paula Viegas

Cargos políticos: Como é nosso país?

O país em que vivemos é um Estado presidencialista, com a Tripartição de Poderes proposta por Montesquieu: Poder Executivo, Poder Legislativo e Poder Judiciário. Infelizmente, muitos cidadãos brasileiros, em especial os jovens, não sabem qual o papel de deputados, senadores, ou quais são as diferenças entre eles (veja as estatísticas neste link). São eles que fazem parte do governo do nosso país e somos nós que os elegemos e pagamos seus salários. É fundamental, portanto, conhecer os cargos, as funções e os poderes que são delegados aos políticos, senão dificilmente um cidadão poderá ter certeza de sua escolha no momento de votar. Então, nesse ano de eleição, pesquisamos e informamos a seguir as funções de Deputados e de Senadores, Governadores e Presidente, afinal é em torno deles que giram as forças de governo da nossa nação.

Senadores: Possuem mandato de oito anos e representam a federação, por isso há três Senadores para cada estado. São, portanto o poder legislativo a nível federal.
Suas principais atribuições são:
• Realizar funções legislativas de caráter mais geral que são compartilhadas com a Câmara dos Deputados, como representar o povo brasileiro, legislar sobre os assuntos de interesse nacional e fiscalizar a aplicação dos recursos públicos;
• Processar e julgar: Presidente e vice, Ministros do Superior Tribunal Federal, membros do Conselho de Justiça e do Conselho Nacional do Ministério Público, Procurador-Geral da República, Advogado-Geral da União e Ministros de Estado, Comandantes das Forças Armadas;

Deputados federais: Seus mandatos são de quatro anos e são eleitos de acordo com um sistema proporcional (o número total de Deputados, bem como a representação por Estado e pelo Distrito Federal, deve ser estabelecido proporcionalmente à população). Eles atuam no Congresso Nacional e em gabinetes locais.
Suas Principais atribuições são:
• Representar o povo brasileiro, elaborar leis e fiscalizar a aplicação do dinheiro público;
• Autorizar os processos instaurados pelos Senadores, a tomada de contas do Presidente (quando não apresentadas no prazo constitucional) e a montagem de comissões de investigação e inquérito.

Deputados estaduais: Assim como os Federais, deputados Estaduais possuem mandatos de quatro anos e são eleitos em acordo com o sistema proporcional. Não possuem limite de reeleições e atuam na Assembléia Legislativa Estadual e em  gabinetes locais.
Suas Principais atribuições são:
• Representar o povo na Assembléia Legislativa de seus Estados;
• Legislar e ser guardião fiel das leis e dogmas constitucionais estaduais. Eles podem, inclusive, propor, emendar, alterar, revogar e derrogar leis e leis complementares.

A diferença entre eles: como pôde ser observado acima, Deputados Federais e Senadores compartilham certas funções, como gerir as contas da União. A fixação de limites para gastos é função dos Senadores, enquanto os Deputados fiscalizam o uso de tais valores. Além disso, os Deputados devem dar autorização para que ocorram os processos realizados pelos senadores. Vale ressaltar que os Deputados representam a população, enquanto os Senadores representam os Estados, mas qualquer lei deve passar tanto pela Câmara dos Deputados quanto pelo Senado, antes de ser aprovada.

Presidente: É o responsável pelo poder executivo em nível federal e seu mandato é de 04 anos. Para se candidatar a Presidente é necessário ter, no mínimo, 35 anos. Sua eleição ocorre pela maioria dos votos, e não proporcionalmente.
Suas Principais Atribuições são:
• Atuar como Chefe de Estado de nosso governo, pois o Brasil segue o modelo Presidencialista;
• Administrar o país com Planos de desenvolvimento, gastos e as previsões de orçamento, geralmente criados em seu Plano de Governo;
• Indicar Ministros e coordenar os Ministérios;
• Representar o país a nível internacional, podendo assinar acordos, por exemplo;
• Manter relações com outros Estados;
• Manter a ordem no país, seja por meio da manutenção das Forças Armadas, seja por
meio da garantia do cumprimento das leis; zelando pela constituição, unidade, integridade e independência da nação;
• Poder abrandar penas (concessão de indultos ou comutação de penas);
Ter o direito de decretar Estado de Sitio (quando há ameaça à Ordem Pública), então o Poder Executivo assume também os poderes Legislativo e Judiciário, de forma que mesmo os direitos e deveres previstos pela Constituição podem ser suspendidos;
• Ter o direito de decretar Estado de Defesa (devido a uma grande instabilidade, guerra ou crise institucional), em que o Presidente pode suspender direitos previstos em Constituição;
• Prestar contas dos gastos de seu governo e das receitas.

Governador: É responsável pelo poder executivo a nível estadual. Assim como o
Presidente, seu mandato é de quatro anos e é eleito pela maioria dos votos.
Suas principais atribuições são:
• Administrar o estado;
• Fazer a manutenção das secretarias;
• Propor orçamentos e leis para o estado (que sejam possíveis, de acordo com a Constituição);
• Prestar conta da administração anualmente, perante Assembleia Constituinte;
• Vetar parcialmente ou inteiramente os projetos de lei;
• Dar início ao processo legislativo;
• Intervir nos municípios, quando necessário.